Os distritos de Jaci Paraná e Abunã mais parecem irmãos gêmeos naquilo que eles têm de mais triste e feio: prostituição infantil, miséria, tráfico de drogas e violência. A situação naquelas localidades é periclitante. O caos começa pelo setor da saúde. Não há médicos nem medicamentos nos postos, cujas estruturas estão caindo aos pedaços. A população está proibida de adoecer.
Com a administração municipal transbordando de negligência, a saída é apelar aos Céus, para o Deus dos desgraçados, dos espoliados, dos vilipendiados, dos deserdados da sorte, dos enganados por políticos vira-casacas, parasitas da carótida social, que, durante o período eleitoral, prometem o paraíso aos incautos e, depois de eleitos, passam a cuidar de seus interesses menores, esquecendo-se as promessas de campanha.
Na educação, o quadro é desalentador: são professores mal remunerados e crianças sem transporte escolar. Os prédios estão em frangalhos, parecem cenários de filmes de terror. Merenda escolar e material de expediente são artigos de luxo. No distrito de Abunã, por exemplo, dezenas de crianças estão sem estudar por falta de transporte.
Diariamente, muitas delas arriscam a própria vida andando nos dois calhambeques contratados pela prefeitura para levá-las de casa à escola. Os alunos passam mais tempo chacoalhando dentro dos ônibus do que mesmo nas salas de aula. Nosso patrimônio histórico, resquício da estrada de Ferro Madeira Mamoré, está completamente abandonado, transformado que foi em esconderijo de animais peçonhentos e refúgio de marginais e viciados e, o que é pior, sob os olhares complacentes das autoridades.
Terça-feira (8), a Câmara Municipal de Porto Velho realizou uma sessão popular em Abunã, a pedido do vereador Zequinha Araújo. Foi um deus-nos-acuda. O que a população reclamou da administração Roberto Sobrinho não foi brincadeira. Ainda bem que ele não compareceu à reunião. Caso contrário, teria sido escalpelado e, depois, escorraçado debaixo de vara. Nem parece que Sobrinho abocanhou mais de setenta por cento dos votos na eleição passada. Os secretários Marcelo Fernandes (SEMOB) e José Wildes de Brito (SEMAGRIC), além dos adjuntos das Secretarias Municipais de Educação (SEMED) e Obras Especiais (SEMPRE), coitados, até que se esforçaram para tentar convencer os moradores das “boas intenções” do chefe para mudar o panorama tétrico do local, mas não conseguiram. Deixaram o recinto com a certeza de que pregaram no deserto.
Na avalanche da incúria administrativa que vem soterrando o governo Sobrinho, é impossível acreditar em melhorias para a população da capital e dos distritos. Além dos costumeiros infortúnios do dia a dia, a sociedade ainda é compelida a agüentar tanta incompetência. A esperança de uma cidade melhor para todos foi para as calendas gregas, simplesmente, escafedeu-se.