Pesquisadores da Universidade Federal do Pará encontraram evidências de que o açaí pode exercer efeitos protetores sobre o cérebro e influenciar positivamente o comportamento relacionado à ansiedade e à depressão. Os resultados foram publicados na revista científica Food Research International.
O estudo analisou os efeitos de compostos fenólicos presentes no açaí (Euterpe oleracea), conhecidos por sua atividade antioxidante. Em experimentos realizados com ratos durante a fase de adolescência, os cientistas observaram que o consumo nutricional de suco clarificado da fruta aumentou a atividade de enzimas antioxidantes em regiões do cérebro associadas à regulação emocional, como o córtex pré-frontal, o hipocampo e a amígdala.
De acordo com os pesquisadores, esse efeito reduziu o estresse oxidativo nessas áreas cerebrais e foi acompanhado por comportamentos considerados indicativos de menor ansiedade e menor tendência depressiva nos testes comportamentais realizados com os animais.
A pesquisa foi conduzida por uma equipe liderada pela cientista Taiana Vilhena Carvalheiro-Simas, com participação de Marta Barbosa, Cristiane Maia e Hervé Rogez, entre outros colaboradores.
Apesar dos resultados promissores, os próprios autores ressaltam que as conclusões ainda se limitam ao modelo experimental utilizado. A próxima etapa do trabalho será a realização de ensaios clínicos com voluntários em Belém para avaliar se os mesmos efeitos podem ser observados em seres humanos.
Caso os resultados sejam confirmados, o açaí poderá reforçar sua posição como alimento funcional associado à saúde do cérebro, além de destacar o potencial da biodiversidade amazônica no desenvolvimento de novas estratégias de prevenção em saúde mental.