“Eu pago todos os meus impostos. Contribuo igual a todo mundo. Quando a gente precisa do governo, ele não aparece”, disse Pedro Korilo para a reportagem do
Rondoniaovivo nesta quarta-feira (11). Em visita à redação, o cidadão amazonense se queixou de um problema que todos os rondonienses bem conhecem: a demora do serviço público de saúde.
Clerio Korilo, filho de Pedro, está há 71 dias perdido dentro do sistema de saúde. Naturais de Lábrea (AM), município localizado a cerca de 200 km de Porto Velho (RO), eles chegaram a Rondônia no dia 27 de novembro e aguardam por um tratamento cirúrgico. “Ele [Clerio] foi atendido inicialmente no João Paulo II, depois transferido para o Regina Pacis e agora está no Hospital de Base”, explica Pedro.
O jovem de 28 anos precisa realizar com urgência uma “osteossíntese de fratura de úmero proximal”, de acordo com os documentos médicos disponibilizados por Pedro para a reportagem. A cirurgia serve para realinhar e fixar fragmentos ósseos no ombro. Por causa da demora, eles entraram com um processo na Justiça.
“Parece que eles enrolam a gente. Abriram uma licitação para comprar o material para a cirurgia, mas disseram que nenhuma empresa se manifestou. Pediram até para que eu procurasse orçamento”, continuou o pai. O procedimento, na rede particular, foi avaliado em pelo menos R$ 137.800,00 — incluindo honorários do cirurgião, insumos hospitalares e acompanhamento. Por causa da demora, Clerio precisa de uma prótese e pode, inclusive, perder o movimento do membro.
O processo, protocolado no 1º Juizado Especial da Fazenda Pública de Porto Velho, determina que o governo realize o atendimento o quanto antes, sob pena de multa e de sequestro de verba pública. “Intime-se pessoalmente o secretário estadual de Saúde para comprovar o cumprimento da obrigação de fazer descrita na decisão no prazo improrrogável de cinco dias”, lê-se na decisão assinada pelo juiz Wanderley Jose Cardoso.
A reportagem tenta contato com a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), que não retornou até a publicação deste conteúdo. “Já estou ficando sem recursos, gastando com transporte, alimentação e estadia. Procurei vocês [do jornal] para ver se resolvo a situação. Não sei mais o que fazer”, concluiu Korilo.