Os valores ontológicos do ser – por Marquelino Santana

Os valores ontológicos do ser – por Marquelino Santana

Foto: Reprodução

A axiologia nos ensina que os valores singulares e plurais da sociedade precisam ser ontologicamente valorizados e apropriados no ser do ente humano. Precisamos evitar de forma justa e consciente as apropriações malévolas de estereótipos e estigmatizações que podem nos levar à própria derrocada humana e a nos apoderarmos da ignobilidade do processo de aversão e degradação do outro.
 
Na hermenêutica das peculiaridades transcendentais dos povos originários da Amazônia, as populações indígenas continuam lutando e resistindo para manterem vivas os seus ancestrais modos de vida sócio-linguístico-culturais através de seus ritos e mitos nas malocas, com as suas bebidas tradicionais tipo a chicha, a caiçuma koiá, dentre outras, e dessa forma continuarem internalizando os fenômenos ancestro-cosmogônicos da parteira, do cacicado e da pajelança. 
 
O filósofo Martin Heidegger ressalta que no sentido fenomenológico, fenômeno é somente o que constitui o ser, e ser é sempre ser de um ente. É na concatenação da casa com o homem e com o lugar vivenciado que este ente vai cotidianamente preenchendo o seu ser. Não importa se é no sentimento do belo ou no sentimento de angústia, pois na verdade ambos os sentimentos invadirão o ser e se alojarão na alma.
 
Esses mesmos sentimentos e pertencimentos se alojaram na alma das coletividades tradicionais dos seringais amazônicos. O seringueiro saia do tapiri para cortar seringa ainda pela madrugada com a sua imaculada poronga na cabeça. Depois das tigelas cheias, ele fazia a colha, comia uma farofa de cutia, ao chegar em casa tomava um chibé ou jacuba, e em seguida iniciava o árduo processo de defumação da borracha, sentindo o cheiro da fumaça do buião. Durante a noite era a vez de contar as suas histórias, ouvindo o canto temeroso do Urutau, e narrando aos filhos as mitológicas encantarias do pai-da-mata, do boto, da mãe-d’água, do caboclinho-da-mata, da mãe-da-seringueira, dentre outras seculares narrativas. 
 
Conforme narra João de Jesus Paes Loureiro – A arte como encantaria da linguagem – “ Na Amazônia inventamos nossos mitos encharcados de poesia para podermos viver na desmedida solidão de rios e florestas. Mitos de encantados que são o próprio recolhimento da palavra no sagrado dos mitos, até que a palavra se torne, ela mesma, o sagrado que se mostra na poesia”.
 
Essa mitológica poética estetizante dos povos da floresta e suas heterotópicas relações com a terra mãe, não devem cair na invisibilidade, as coletividades da verde mata não podem ter as suas almas desalojadas pela sociedade reacionária envolvente, ao tempo, em que precisam continuar sentindo no espaço vivido, os valores ontológicos do ser.
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