SECA ESTENDIDA: El Niño ameaça produção rural, abastecimento e transporte fluvial

Previsão para novembro de 2026 a janeiro de 2027 indica chuvas abaixo da média e temperaturas elevadas devendo afetar as pastagens e a soja em Rondônia.

 SECA ESTENDIDA: El Niño ameaça produção rural, abastecimento e transporte fluvial

Foto: Getty Imagens/USDA/Gemani

Receba todas as notícias gratuitamente no WhatsApp do Rondoniaovivo.com.​

  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
0 pessoas reagiram a isso.
 
A Região Norte deve enfrentar um período de maior pressão sobre os recursos hídricos, a produção agropecuária e a infraestrutura de transporte fluvial durante o trimestre de novembro de 2026 a janeiro de 2027. A previsão é de chuvas abaixo da média em áreas da região e temperaturas superiores à normalidade em praticamente todo o país, conforme a quinta edição do Painel El Niño 2026–2027, elaborado por órgãos federais de monitoramento climático. Em Rondônia, o fenômeno deve afetar pastagens e a monocultura de soja. 
 
O cenário preocupa especialmente estados amazônicos, onde a população depende dos rios para transporte, abastecimento, acesso a serviços públicos e escoamento da produção. Conforme pesquisou o Rondoniaovivo, a combinação de calor intenso e irregularidade das chuvas pode prolongar o déficit hídrico, reduzir os níveis dos rios e aumentar os custos de atividades econômicas que dependem da navegação. 


 
 
Para comunidades ribeirinhas, indígenas e moradores de localidades isoladas, a estiagem representa mais do que um problema ambiental. A redução dos níveis dos rios pode dificultar o transporte de alimentos, medicamentos, combustível e outros produtos essenciais, além de comprometer o deslocamento de pacientes e o atendimento de serviços públicos.
 
Acre, Amazonas, Rondônia e Roraima concentram preocupações
 
Os efeitos não devem ser distribuídos igualmente entre os estados. Acre, Amazonas, Rondônia e Roraima aparecem entre as áreas mais vulneráveis ao déficit de chuvas e à redução dos níveis dos rios.
 
No Amazonas e em Roraima, a situação exige atenção especial pelo impacto potencial sobre comunidades indígenas e ribeirinhas. Dados do Cemaden apontam que aproximadamente 86 mil pessoas vinculadas a 70 polos de saúde indígena estão em áreas classificadas com seca severa, principalmente nesses dois estados. 
 
Cemaden/MCTI
 
Em Rondônia, a irregularidade das chuvas pode comprometer a umidade do solo, a recuperação das pastagens e o calendário agrícola. O calor elevado também aumenta a necessidade de água para os rebanhos e as lavouras, elevando os custos de produção.
 
Agropecuária e alimentos sob pressão
 
A redução das chuvas representa riscos para a agricultura familiar, a pecuária e a produção de alimentos. Com menos umidade no solo, produtores podem enfrentar dificuldades no plantio, queda de produtividade e necessidade de ampliar investimentos em irrigação e alimentação animal.
 
A Embrapa alerta que o El Niño pode provocar atraso na regularização da estação chuvosa, prolongar períodos de deficiência hídrica e afetar a produção agropecuária na Região Norte. Em Roraima, estimativas apontam perdas de 30% a 50% na safra de 2026 em razão do déficit de chuvas durante o desenvolvimento das lavouras. 
 
Portal Embrapa
 
Os efeitos também podem chegar ao consumidor. A redução da oferta de determinados produtos, somada ao aumento dos custos de transporte e produção, pode pressionar os preços de alimentos e outros itens básicos.
 
Prejuízos econômicos já preocupam municípios
 
Os impactos da estiagem não são apenas uma projeção. Levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM), considerando o período de 1º de julho a 15 de setembro de 2026, identificou 35 decretações de anormalidade relacionadas à seca e à estiagem em 33 municípios da Região Norte.

 
 
Os prejuízos econômicos estimados chegaram a R$ 632 milhões. O Acre concentrou 24 registros, seguido pelo Amazonas, com seis; Pará, com três; Roraima e Rondônia, com um cada.
 
A agricultura acumulou R$ 46,8 milhões em prejuízos, a pecuária R$ 32,6 milhões e o abastecimento de água potável, R$ 17 milhões. 
 
Queimadas e saúde pública
 
A combinação de calor intenso, baixa umidade do solo e redução das chuvas também aumenta o risco de incêndios florestais. A fumaça pode agravar doenças respiratórias, elevar a procura por atendimento médico e afetar principalmente crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios.

 
 
O Cemaden identificou 307 municípios brasileiros em alerta alto e outros 464 em alerta para risco de fogo no trimestre analisado, com concentração de áreas de atenção na Região Norte. A previsão é de que a redução das chuvas possa retardar a diminuição dos focos de incêndio. 
 
 
Desafio para governos e Defesa Civil
 
O cenário exige planejamento antecipado dos governos estaduais e municipais, especialmente em áreas onde a população depende dos rios para transporte e abastecimento.
 
Entre as medidas necessárias estão a preparação de planos de distribuição de água potável, reforço da assistência às comunidades isoladas, prevenção de queimadas, monitoramento dos níveis dos rios e apoio aos pequenos produtores rurais.
 
As projeções do Painel El Niño são sazonais e indicam tendências, não a ocorrência exata de eventos extremos em determinada localidade. Por isso, os órgãos federais recomendam acompanhamento permanente das previsões meteorológicas e dos alertas da Defesa Civil.
 
O principal risco para a Amazônia é que a combinação de estiagem prolongada, calor extremo e dificuldades logísticas transforme um fenômeno climático em uma crise social e econômica, com consequências para o abastecimento, a renda das famílias, a produção de alimentos e o custo de vida na região.
Direito ao esquecimento

MAIS NOTÍCIAS

Por Editoria

CLASSIFICADOS veja mais

EMPREGOS

PUBLICAÇÕES LEGAIS

DESTAQUES EMPRESARIAIS

EVENTOS

Instale o app do Rondoniaovivo.com Acesse mais rápido o site