Com aparência semelhante à de uma folha, a espécie usa a camuflagem para surpreender suas presas em rios e igarapés da Amazônia
Foto: Joachim S. Müller/Flickr
Receba todas as notícias gratuitamente no WhatsApp do Rondoniaovivo.com.
A Amazônia abriga uma grande diversidade de peixes de água doce, muitos deles com características que surpreendem pela capacidade de adaptação.
Nesse ambiente, algumas espécies desenvolveram formas e comportamentos que favorecem a sobrevivência em meio à vegetação e aos elementos presentes nos rios.
Um exemplo é o peixe-folha (Monocirrhus polyacanthus), conhecido pela capacidade de imitar a aparência de uma folha caída na água.
Por causa desse disfarce, o animal consegue passar despercebido entre folhas e outros restos vegetais acumulados nas margens.
O corpo achatado lateralmente, a coloração e as marcas na superfície ajudam o peixe-folha amazônico a reproduzir o aspecto de uma folha.
Além disso, um pequeno filamento localizado na parte inferior da mandíbula lembra o cabinho de uma folha e reforça essa semelhança.
Entretanto, essa aparência não serve apenas para confundir possíveis predadores. Ela também favorece a alimentação.
Enquanto permanece próximo à vegetação, o peixe espera que outros animais se aproximem. Assim que encontra uma oportunidade, realiza um ataque rápido.
Outro detalhe importante está na boca. A espécie possui uma estrutura grande e protrátil, capaz de se projetar para a frente durante a captura.
Dessa forma, consegue sugar a presa e levá-la à boca com eficiência.
Embora sua aparência lembre um animal inofensivo, o peixe-folha é um predador. Sua alimentação inclui principalmente pequenos peixes, além de invertebrados, como camarões e insetos.
Essa característica também aparece em um estudo publicado em 2010 na revista científica Neotropical Ichthyology.
Na pesquisa, os autores analisaram 35 exemplares da espécie encontrados em um igarapé de terra firme na Amazônia brasileira.
Desse total, 19 apresentavam alimento no estômago. Ao todo, os pesquisadores identificaram 33 presas: 21 peixes e 12 invertebrados.
Portanto, os resultados mostram a importância dos pequenos peixes na dieta da espécie, embora ela também consuma outros organismos aquáticos.
Além disso, a pesquisa apontou que a camuflagem corporal, associada à sucção durante o ataque, favorece a captura das presas.
Os autores observaram ainda que a menor atividade de alguns peixes nos períodos de crepúsculo pode facilitar a ação do predador.
O Monocirrhus polyacanthus ocorre na bacia Amazônica e habita igarapés, margens de rios e lagos.
Nesses locais, costuma ocupar áreas próximas à vegetação das margens e às plantas aquáticas. Com isso, encontra condições favoráveis para se esconder e capturar alimento.
Já em relação ao tamanho, trata-se de um peixe pequeno.
Os exemplares analisados no estudo de 2010 mediam entre 28,5 e 82 milímetros de comprimento padrão, medida que considera o corpo sem incluir a nadadeira caudal.
Além das características de camuflagem e alimentação, o peixe-folha também desperta interesse em estudos sobre criação em cativeiro.
Um trabalho publicado em 2020 na revista científica Aquaculture Researchavaliou os efeitos do extrato de folhas de amendoeira-da-praia (Terminalia catappa) sobre larvas da espécie submetidas ao estresse de manejo.
Os resultados indicaram melhora no crescimento e na sobrevivência das larvas nas condições avaliadas. Dessa maneira, o estudo ampliou o conhecimento sobre o desenvolvimento inicial do peixe e apontou possibilidades para aprimorar técnicas de criação em cativeiro.
É importante destacar, porém, que os resultados se referem às condições experimentais da pesquisa. Portanto, não significam que o tratamento já seja uma técnica consolidada para a criação comercial da espécie.
O peixe-folha mostra como a camuflagem pode desempenhar diferentes funções na sobrevivência de uma espécie.
Ao imitar uma folha caída, ele consegue se misturar ao ambiente e, ao mesmo tempo, aumentar as chances de capturar alimento.
Assim, mais do que uma curiosidade da fauna amazônica, o animal demonstra a diversidade de estratégias desenvolvidas pelos peixes de água doce.
Nesse caso, a aparência não é apenas um detalhe: ela está diretamente relacionada à forma como a espécie vive, caça e se alimenta.
Acesse sua conta do Rondoniaovivo.com e faça seu comentário