Relatório da Comissão Pastoral da Terra divulgado nesta segunda-feira (27) mostra que, apesar da queda de 28% nos conflitos no campo em 2025, a violência segue em alta no país e Rondônia aparece entre os estados mais críticos.
Segundo o levantamento, o Brasil registrou 1.593 ocorrências no ano passado, contra 2.207 em 2024. Mesmo assim, o número de assassinatos dobrou, passando de 13 para 26 vítimas. Na Amazônia Legal, foram 16 mortes, com destaque negativo para Rondônia e Pará, que lideram o ranking, com sete assassinatos cada.
No recorte por conflitos de terra, Rondônia ocupa a terceira posição nacional, com 111 registros, atrás apenas de Maranhão (190) e Pará (142). Esse tipo de ocorrência representa 75% de todos os conflitos no campo, evidenciando a disputa por posse e uso da terra como principal foco de tensão.
O relatório também aponta crescimento nos casos de trabalho escravo rural, com 159 ocorrências e 1.991 trabalhadores resgatados em 2025, além de conflitos relacionados à água e impactos ambientais.
Um dos episódios mais graves do ano foi registrado em Rondônia, com um massacre que deixou três mortos, reforçando o cenário de escalada da violência no estado.
Produzido pelo Centro de Documentação Dom Tomás Balduino, o estudo é considerado uma das principais bases de dados sobre conflitos agrários no país e expõe uma contradição: menos registros, mas maior letalidade — sinal claro de agravamento qualitativo da violência no campo.