O Dia Mundial da Água transcorrido em 22 de março foi celebrado em comunidades tradicionais de Rondônia com uma palestra sobre uma experiência inovadora que utiliza os raios ultravioletas (UV) no tratamento da água para beber.
A palestra foi proferida pelo pesquisador da Fundação Osvaldo Cruz, ligada ao Ministério da Saúde, Marcos André Vannier dos Santos. Ele foi convidado para realizar esse trabalho pela pedagoga Izabel Cristina da Silva, que atua na área de Educação Ambiental da Secretaria de Desenvolvimento Ambiental (Sedam).
Durante a sua explanação, o biólogo que é pós-doutor em parasitologia e é membro do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia: Pesquisas Translacional em Saúde na Amazônia (Ipetam) orientou populações que vivem na floresta sobre como utilizar a água de forma saudável.
“Uma saúde de boa qualidade passa pelo conhecimento do meio ambiente e os seus recursos naturais”, observou o professor que vive em Salvador e está sempre buscando novas experiências no mundo acadêmico. Coordenador da Olimpíada Nacional de Saúde e Meio Ambiente para os estados da Bahia, Sergipe e Alagoas, o docente coordena também o Projeto Ciência na Estrada: Educação e Cidadania, o qual funciona dentro de um ônibus que percorre vários estados levando inovação cientifica para a população.
Em Rondônia, o estudioso que profere palestras em todo o Brasil e no exterior apresentou a ideia de desinfecção da água. A proposta visa utilizar garrafas PET transparente cheia de água limpa. Tampados, os recipientes devem ficar sob o sol durante doze horas no mínimo."Pode ser usado o telhado da casa para esse fim, inclusive encaixando as garrafas nas telhas”, explica , esclarecendo que a radiação solar funciona como bactericida.
Mas ele faz um alerta: “A água não pode estar muito escura ou barrenta”. Conforme orientou, para filtrar pode recorrer a um pano ou deixar o liquido parado para depositar o material. “Esse método utiliza agente microbicida poderoso, o ultravioeta (UV), que pode ser utilizado sempre já que é oferecido pelo sol gratuitamente”, declarou Marcos André que, além de falar com os moradores dos locais visitados, distribuiu folhetos sobre esse invento e literatura de cordel, abordando doenças que podem ser evitadas com práticas simples.
De acordo com Izabel Cristina, que é gerente de projetos socioambientais da Sedam, a presença do pesquisador em Rondônia foi muito importante para as comunidades que ficaram entusiasmadas com as informações. “Essa atividade fez parte do projeto Meio Ambiente na Arte e Cultura, cujo objetivo é valorizar a cultura tradicional de cada povo”, informou a educadora, acrescentando que a palestra em alusão ao Dia Mundial da Água foi proferida também na Vila Princesa, para onde é destinado todo o lixo urbano de Porto Velho, conhecido como Lixão.