Chega a ser estarrecedora a insensibilidade do prefeito Roberto Sobrinho, do PT, frente às agruras por que passam os usuários do sistema de transporte coletivo de Porto Velho.
Começo a acreditar que Sobrinho carrega uma pedra no lugar do coração. Só mesmo uma pessoa desumana para não sentir comiseração de tantos pais e mães de família, jovens, crianças e idosos, trabalhadores, estudantes, os quais, na ausência de outros meios de locomoção, são obrigados a encarar os ônibus calhambeques que circulam pelas ruas da cidade.
Sobrinho precisa ter a humildade (que é sinal de grandeza a que nem todos estão acostumados) para fazer uma autocrítica de sua administração, principalmente, no que concerne ao caótico serviço de transporte coletivo, parar de passar a mão na cabeça dos empresários, decretar estado de calamidade pública no setor, e aproveitar para facilitar o ingresso de novas empresas, visando reduzir o sofrimento da população.
Esse negócio de ficar engordando as já polpudas contas bancárias dos empresários de ônibus, com aumento de tarifa, sob o surrado pretexto de que os preços das passagens estão defasados, ou, então, de que novos veículos serão adquiridos para robustecer a frota, apresentando explicações engenhosas para tentar ludibriar a consciência de incautos eleitores, é coisa fora de moda nos dias atuais.
O prefeito já deveria ter percebido que os proprietários de ônibus não estão nem aí para a população, que não há boa vontade dessa gente em oferecer um atendimento de qualidade aos que dependem desse meio de transporte para o trabalho, o lazer, à escola ou mesmo às compras.
O monopólio de transporte coletivo já se revelou extremamente nocivo à sociedade. Aliás, todo monopólio é nocivo, mas o do transporte urbano ultrapassa as barreiras do que seria racional. Cabe ao prefeito Sobrinho, portanto, por ordem na casa e acabar com essa torre de babel. A vontade de poder, quando prevalece sobre os demais impulsos, conduz, necessariamente, à corrupção e à destruição.
O prefeito precisa preocupar-se menos com seus adversários políticos e passar a cuidar mais da cidade que diz administrar, começando por exigir dos empresários de ônibus o cumprimento do horário de trafego, carros limpos, aumento da frota, civilidade de certos cobradores e motoristas no trato com passageiros, enfim, o cumprimento das normas legais, ou seja, daquilo que estabelece a Lei Orgânica Municipal em seu art. 7º, § 3º, incisos I, II, e III.