A partir da Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025, autoridades identificaram estruturas financeiras clandestinas que teriam movimentado R$ 46 bilhões entre 2020 e 2024, segundo as investigações. Também foram identificados fundos fechados que concentravam cerca de R$ 30 bilhões em ativos relacionados a esquemas de lavagem de dinheiro.
Diferente das instituições bancárias tradicionais, as fintechs operam quase 100% no meio digital, eliminando burocracias, reduzindo custos operacionais e oferecendo processos mais ágeis e acessíveis. Isso tem favorecido ao crime organizado para dar legalidade a fortunas de negócios criminosos.
A facilidade para abrir contas, a rapidez das transferências digitais, o fracionamento de valores e a utilização de empresas e pessoas interpostas estão entre os fatores que atraem organizações criminosas para esse segmento.
Segundo o advogado criminalista Guilherme Gama, a abertura remota de contas e a velocidade das transações podem permitir que recursos sejam pulverizados antes da identificação de operações suspeitas.
Como funciona a movimentação
As estruturas investigadas podem envolver contas abertas com dados de terceiros, empresas de fachada e negócios registrados em nome de laranjas. Em operações mais complexas, contas-bolsão concentram recursos de diferentes clientes, dificultando a identificação dos verdadeiros beneficiários.
O dinheiro pode passar por diversas contas, empresas e instituições antes de ser convertido em imóveis, veículos, investimentos ou outros ativos. O uso de pagamentos digitais e de criptoativos também amplia as possibilidades de transferência e dispersão dos recursos.
Regras mais rígidas
A necessidade de ampliar o controle sobre o setor ganhou força após as investigações envolvendo fintechs. Em agosto de 2025, a Receita Federal ampliou obrigações aplicáveis às instituições de pagamento, aproximando as exigências das regras já impostas a instituições financeiras.
Entre as medidas está o fornecimento de informações relacionadas a responsáveis e beneficiários dos recursos.
Para Renata Furbino, professora de Direito Criminal do Centro Universitário Arnaldo Janssen, regulamentação e fiscalização aumentam a capacidade de prevenção e elevam o custo das operações criminosas.
Apesar do avanço regulatório, a rapidez das transferências e a participação simultânea de fintechs, bancos, fundos e empresas continuam dificultando o rastreamento. Para investigadores e autoridades, o combate à lavagem de dinheiro depende da integração entre instituições financeiras, órgãos de investigação e Justiça, especialmente diante da velocidade com que os recursos podem ser transferidos.