Foto: Divulgação
Receba todas as notícias gratuitamente no WhatsApp do Rondoniaovivo.com.
Saber amar é saber deixar alguém te amar, é uma frase da música do Herbert Viana.
Períodos de inferno astral fazem parte da vida, no entanto, o mundo anda tão estranho e as pessoas tão individualistas, que a maioria tem receio de buscar conforto e um ombro para chorar, preferindo o isolamento e a solidão.
É triste constatar que vivemos tempos de amores líquidos e tempos onde grande parte quer por perto pessoas felizes, que sorriem muito, que agem como se problemas e lágrimas fossem coisas de pessoas fracas. E nesta fantasia onde tudo é belo e perfeito, deixam de lado muito de sua humanidade e do que podem dar - e receber - de amor, carinho e afeto.
Necessidades afetivas, todos tem. A dificuldade, talvez por medo de julgamentos, está em demonstrar e pedir auxílio ao amigo em um momento de fragilidade emocional. Não por acaso, a depressão se tornou uma doença que cresce assustadoramente no mundo.
Observe que geralmente quando um amigo está triste, a mensagem mais enviada e mais comum é um “conte comigo”. Será mesmo? Qual foi a última vez, em um sábado à noite, que você arriscou bater na porta de um amigo que se auto isolou, levando uma garrafa de vinho ou refrigerante, pipoca e um filme, se acomodou no sofá e disse: hoje a festa é aqui.
Por outro lado, você que vive este período de inferno astral, qual foi a última vez que se despiu de sua auto suficiência e permitiu-se apenas receber este afeto?
Mas a questão é ainda mais complexa. Não é fácil entender a angústia do outro, mas por outro lado, se tornou difícil também demonstrar as próprias necessidades e mais que isso, aceitar que precisa e quer a companhia de um amigo. É como se todos os sentimentos de tristeza, tão inerentes aos seres humanos, fossem agora entendidos como fraquezas. Todos querem mostrar uma força descomunal e uma auto suficiência que podem potencializar o momento de inferno astral e retardar o fim por não conseguir pedir auxílio.
Diferentes comportamentos incentivam o isolamento. Por exemplo: ao usar uma máscara que esconde a debilidade, a pessoa irá também esconder a própria humanidade, impedindo que o amigo faça uma leitura mais profunda da situação . Um outro comportamento é o da indiferença diante daquele que um dia precisou de um ombro, e quando chegar o momento da necessidade de um consolo, igualmente a pessoa irá se isolar. Por quê? Porque não teve interesse real no problema do amigo, sendo assim, acredita que será igual com ela. E a vida vai passando sem que possa se permitir dar e receber, verdadeiramente, um ombro amigo.
É preciso aprender ou reaprender a receber afeto, mas não somente em período de inferno astral. Tão importante quanto dar amor, é saber recebê-lo. Deixar-se cuidar, se permitir sem receios, sem auto cobrança, auto julgamento e sobretudo, sem medo. Não é fácil, mas é possível praticar.
Observem que quem tem animais de estimação não tem medo de demonstrar afeto pelo bichinho e sabe também, de verdade, receber todo o amor que ele oferece. Animais não julgam.
Vinícius de Moraes disse que o maior solitário é aquele que se nega a dar e receber o que pode dar de amor, amizade e socorro. Aquele que se recusa a viver as verdadeiras fontes de emoção, que são o patrimônio de todos. Este vive encerrado no absoluto de si mesmo e vivendo neste duro privilégio, semeia pedras do alto de sua fria e desolada torre.
Em um mundo onde a alegria é fantasiosamente constante, e estar ou se sentir triste é quase um defeito, tenhamos, pois, um pouco mais de sensibilidade para darmos e pedirmos auxílio. Não há vergonha nisso. É preciso coragem para enfrentar os próprios medos e admitir para você mesmo:
- Sim, hoje preciso de um ombro. Pode me emprestar o seu?
Acesse sua conta do Rondoniaovivo.com e faça seu comentário
* O resultado da enquete não tem caráter científico, é apenas uma pesquisa de opinião pública!