Um crime chocou os moradores do bairro Caimbé na madrugada de ontem. Um bebê do sexo masculino de apenas 1 ano e 7 meses foi degolado. O mais surpreendente é que a acusada do crime é a tia da criança, Gleiciane Marques, de 22 anos.
Segundo contou uma testemunha para a polícia, a mãe da criança, Poliane Taumaturgo, levou o filho para a casa da avó. Ela deixou a criança na casa, onde estava apenas Gleiciane, que toma remédios controlados, e saiu para comprar um refrigerante. A testemunha disse que estranhou o fato da criança, geralmente quieta, estar chorando tanto e, com pena, pegou o bebê e levou para sua residência que fica próxima.
“O bebê vinha caminhando e ela [a acusada] atrás da criança. Ele chorava muito, o que me deixou desconfiada. Eu peguei o bebê e alguns brinquedos e fiquei com ele na frente de casa para ver se a mãe chegava, mas ela demorou muito e a tia veio de novo buscar a criança. Como era parente, eu tive que entregar”, afirmou.
Segundo ela, como tudo ficou quieto, a vizinha foi olhar na janela e viu a acusada sair de bicicleta deixando a casa aberta. A testemunha foi até o local e achou o corpo da criança na cozinha da residência.
A acusada retornou logo depois e os vizinhos impediram que ela saísse novamente, chamando a Polícia Militar. Os policiais chegaram e constataram que a criança estava com um corte profundo no pescoço e já sem vida. “Ela ia olhar o corpo e sorria, falando com alguém que não existia e perguntando se estava satisfeito com o que ela fez. Não entendi, era tia da criança e nem ao menos chorou”, contou a testemunha.
Enquanto o corpo do bebê foi conduzido para o IML, a tia foi presa em flagrante e levada para o NPCA (Núcleo de Proteção à Criança e Adolescente), na Delegacia da Mulher.
Segundo o delegado Edson Pessoa, do Departamento de Polícia Especializada (DPE), a condição de doente mental só será levada em conta depois que a Justiça se pronunciar sobre o caso. “O caso é homicídio qualificado, mas como a princípio surgiram dúvidas sobre a sanidade da acusada, solicitamos à Justiça exame mental e, se for comprovado que ela tem problemas, irá para um manicômio, ficando isenta da pena”, afirmou.
Como não há um local para pessoas com distúrbios mentais em Boa Vista, Gleiciane poderá ser encaminhada para a ala feminina da Penitenciária Agrícola.
Em relação à mãe da criança, o delegado Pessoa confirmou que, se for comprovada a insanidade mental da acusada, a pessoa que a deixou sozinha com o bebê poderá ser indiciada por homicídio também. “Será investigada a questão da mãe e ela poderá ser indiciada por participação no homicídio. Os pais da criança serão ouvidos no decorrer do inquérito”, frisou.