Uma nova movimentação política envolvendo o deputado federal Eduardo Bolsonaro expôs mais um foco de tensão dentro do núcleo bolsonarista. Segundo aliados próximos da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, o ex-presidente Jair Bolsonaro teria tido uma forte reação ao descobrir a articulação do filho para lançar André do Prado ao governo de São Paulo.
De acordo com informações publicadas pela revista Veja, Bolsonaro não concorda com a aliança e vê a operação política como mais um movimento capaz de desgastar a imagem do clã junto ao eleitorado conservador.
A irritação teria aumentado após Eduardo Bolsonaro anunciar que pretende ocupar a suplência da chapa encabeçada por André do Prado, político ligado ao grupo do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e identificado por integrantes da direita mais ideológica como representante do Centrão.
O episódio também evidencia um problema crescente dentro do bolsonarismo: a dificuldade de Jair Bolsonaro em manter controle político sobre os próprios aliados e familiares. Sem poder atuar publicamente com liberdade e enfrentando restrições judiciais, o ex-presidente teria capacidade reduzida de interferir nas articulações conduzidas pelo filho, que permanece nos Estados Unidos.
O movimento de Eduardo é interpretado por setores do PL como tentativa de garantir sobrevivência política e influência no maior colégio eleitoral do país. Já entre bolsonaristas mais fiéis ao ex-presidente, a aproximação com figuras do Centrão é vista como sinal de enfraquecimento do discurso original do grupo.
A disputa interna revela um cenário cada vez mais fragmentado dentro da direita brasileira, onde interesses eleitorais, controle partidário e sucessão de liderança começam a gerar conflitos públicos entre antigos aliados.